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Atividade Sexual na Terceira Idade

Foto do escritor: LAEG UNIRIO
LAEG UNIRIO
25 de out. de 2021
3 min de leitura

Envelhecer é um processo biopsicossocial, logo é composto por mudanças físicas, psicológicas, fisiológicas e nos papéis sociais. Dentre os inúmeros efeitos advindos desse processo, cabe ressaltar que a sexualidade não se esvai com o avançar da idade, pelo contrário, apesar de cercada por estereótipos e preconceitos, ela continua presente na vida dos idosos e precisa ser discutida com igual importância. O fato de ser negligenciada e haver uma escassez de informações sobre o assunto, contribui para a manutenção do tabu que a envolve (LIMA et. al., 2020).


As novas tecnologias e os avanços em saúde têm permitido às pessoas viverem mais tempo, aumentando assim a expectativa de vida da população. Porém quando falamos de transição demográfica, é necessário atentar às condições dessa mudança, para que o aumento desse determinado grupo populacional venha acompanhado de qualidade de vida. O processo de envelhecimento traz consigo diversas alterações fisiológicas, como já mencionado, e podemos perceber os reflexos do envelhecimento na sexualidade.

Apesar de ainda ser um tabu, a atividade sexual na terceira idade é algo natural e saudável. Ao contrário do que é preconizado pela sociedade, a sexualidade não deixa de existir nessa fase da vida, mas sofre mudanças normais do processo de senescência. Também é preciso entender que ela não se resume ao ato sexual propriamente dito, de forma que principalmente nessa fase da vida as pessoas passam a dar mais valor ao companheirismo. Assim, a sexualidade compreende além do sexo, o beijo, um abraço, um carinho etc.


Apesar das mudanças corporais acontecerem em ambos os sexos, a mulher sofre mais com os efeitos da supressão hormonal. Por volta dos 45 aos 55 anos de idade a mulher chega a fase da menopausa, onde há uma diminuição na produção dos hormônios sexuais femininos e resultando em outras mudanças biológicas, como a diminuição da produção de colágeno e diminuição da vascularização da vagina, tornando-a mais seca e menos elástica, podendo causar dor e desconforto durante o ato sexual.


O sexo quando analisado sob a ótica da procriação torna-se menos necessário com a idade. Entretanto, a continuidade da busca pelo desejo sexual contribui para que o idoso sinta-se menos inválido (LIMA et. al., 2020). O sexo transcende o ato sexual propriamente dito, ele percorre sentimentos e sentidos que podem ser explorados de diversas formas, colaborando para a manutenção da autoestima, que costuma sofrer uma baixa nesse período da vida.


A educação em saúde é imprescindível para promover o envelhecimento ativo, otimizar a capacidade dos idosos e contribuir para sua qualidade de vida. Nesse sentido, os idosos precisam ser assistidos por profissionais da saúde que tenham esse olhar sensível para o assunto, a fim de proporcionar um ambiente confortável em que o idoso sinta-se à vontade para conversar e quebrar os tabus necessários (LIMA et. al., 2020).


Cabe ressaltar ainda que, apesar de não serem mais capazes de reproduzir (no caso das mulheres) homens e mulheres idosos, assim como em todas as outras faixas etárias, devem continuar se prevenindo contra as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) com o uso de preservativos em todos os atos sexuais. Segundo o Ministério da Saúde, em 2018, entre mulheres com 60 anos ou mais houve um aumento de 21,2% comparado aos últimos 10 anos na detecção do HIV, e entre os homens a taxa de detecção foi de 13,4% para cada 100 mil habitantes, demonstrando a alta incidência dos casos dessa IST (LIMA et. al., 2020).


Conclui-se então, a importância de uma psicoeducação para a população idosa, a fim de quebrar tabus e desmistificar os desdobramentos da sexualidade e a influência da mesma para a qualidade de vida do indivíduo. Considerando MORAES et al. (2011), a sexualidade diz respeito a uma parte fundamental da vida do indivíduo, estando relacionada com a necessidade do mesmo ter contato, intimidade, amor e expressar-se a partir da mesma. Para isso, é imprescindível falar sobre a sexualidade na terceira idade e fomentar estudos acerca da mesma.


REFERÊNCIAS


DE LIMA, I. C.; FERNANDES, S. L.; MIRANDA, G. R.; GUERRA, H.; OLIVEIRA LORETO, R. Sexualidade na terceira idade e educação em saúde: um relato de experiência. Revista de Saúde Pública do Paraná, v. 3, n. 1, 8 jul. 2020. Acesso em: 6 out 2021. Disponível em: http://revista.escoladesaude.pr.gov.br/index.php/rspp/article/view/340.


MORAES, K. M.; VASCONCELOS, D. P.; SILVA, A. S. R.; SILVA, R. C. C.;SANTIAGO, L. M. M.; FREITAS, C. A. S. L. Companheirismo e sexualidade decasais na melhor idade: cuidando do casal idoso. Rev bras geriatr gerontol, v. 14, n. 4, p. 787-98, 2011.


Produzido por Keyla Taiani Terra Assunção, Lara Emile Almeida Silva e Rafael Radison Coimbra Pereira da Silva

 
 
 

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