Saúde do idoso e a chegada das 'invernites': Pneumonia

INTRODUÇÃO
A pneumonia é uma doença respiratória comum no inverno que atinge, principalmente, os extremos de idade (crianças e idosos). Na velhice, a pneumonia é considerada uma doença grave e com alto índice de mortalidade devido a condição de fragilidade do grupo, por possuírem multimorbidade e prejuízo funcional. Os idosos não costumam apresentar sinais e sintomas, como a febre, e por isso o diagnóstico é dificultado e retardado.
PNEUMONITE X PNEUMONIA
A pneumonite é uma inflamação aguda do parênquima pulmonar, de natureza infecciosa ou não. Quando está relacionada com infecção, seja ela fúngica, viral ou bacteriana, é denominada pneumonia.
CLASSIFICAÇÃO DAS PNEUMONIAS
São classificadas de acordo com o local de aquisição:
Comunitárias: São aquelas adquiridas fora do ambiente hospitalar.
Adquiridas no hospital: São aquelas que ocorrem 48h ou mais após a hospitalização. Podem ser nasocomias, adquiridas precocemente (2 a 4 dias após a hospitalização) ou de início tardio (5 dias ou mais após a hospitalização), esta última muito relacionada a bactérias multirresistentes. Dentre as pneumonias hospitalares destacam-se as relacionadas a ventilação mecânica.
EPIDEMIOLOGIA
A epidemiologia varia geograficamente e conforme o ambiente em que se dão os cuidados e a população. A incidência aumenta exponencialmente com a idade e ocasiona mais internações do que outras doenças comuns nos idoso.
Estudos demonstram que a incidência de pneumonia aumenta durante os surtos de gripe (Infecção pelo vírus influenza). Por não se tratar de uma doença de notificação compulsória, são poucos os dados de incidência em adultos, principalmente maiores de 60 anos. Em relação a mortalidade, as doenças respiratórias foram consideradas a quarta maior causa de mortes em 2014.
PREDISPOSIÇÃO
Com o envelhecimento também há mudanças fisiológicas no sistema respiratório e na produção das principais células de defesa do organismo, como neutrófilos e células que realizam fagocitose, favorecendo para uma maior predisposição de adquirir a pneumonia. Apesar da diminuição da capacidade vital, da atividade mucociliar e da resposta imune, o envelhecimento não é fator de risco isolado para pneumonia. O risco está aumentado quando há exposição prolongada ao fumo e/ou coexistência de outras doenças, agravando a perda da reserva funcional pulmonar.
Além disso, pacientes que possuem dificuldades de deglutição, muito comum em idosos, podem adquirir pneumonia por aspiração, onde líquidos e/ou alimentos são aspirados para o pulmão e há uma colonização naquela área provocando a infecção. Ou mesmo aqueles que estão em ventilação mecânica que acabam sendo contaminados por meio dos tubos, pela inalação de aerossóis.
QUADRO CLÍNICO
É caracterizado primordialmente por febre, calafrios e leucocitose (aumento no número de leucócitos), comum em toda infecção. Além disso, sintomas relacionados ao sistema respiratório, como tosse, aumento de secreção, dispneia e ausculta pulmonar anormal. Lembrando que os idosos podem não apresentar esses sinais e sintomas ou mesmo demonstrar sintomas inespecíficos como confusão mental, inapetência, perda de peso, dentre outros.
DIAGNÓSTICO
Grande parte dos pacientes apresentam diagnóstico clínico. A avaliação clínica mais pedida é a radiografia de tórax e o hemograma, tais exames devem ser solicitados mesmo na ausência de sinais e sintomas clássicos de pneumonia. E, no caso dos idosos, é indispensável a realização desses exames em caso de sintomas inespecíficos, como inapetência e confusão mental. Pacientes internados em ILPI (Instituição de Longa Permanência para Idoso) podem ter maior dificuldade para realizar esses exames, por conta da locomoção, nesse caso não deve atrasar o início da medicação, ela deve ser iniciada na presença dos sinais e sintomas clássicos da doença.
TRATAMENTO
Definir o paciente que deve ser hospitalizado é uma tarefa difícil, principalmente quando se trata de idosos, para facilitar a decisão existem instrumentos, como escalas, que são utilizadas pelos médicos para definir o melhor planejamento, além de auxiliar na escolha da antibioticoterapia (em pneumonias bacterianas). Cabe ressaltar que todos os fatores externos devem ser levados em consideração, como a situação socioeconômica do paciente, com que ele convive, sua relação com a família, se possui outras comorbidades, dentre outros. Se o idoso possuir um bom suporte familiar, uma rede de apoio e condições físicas e psicológicas para realizar a internação domiciliar, essa opção pode ser válida.
PREVENÇÃO
Toda a equipe de saúde deve estar empenhada em promover a prevenção das pneumonias em idosos. A vacina é a melhor estratégia para evitar a doença e deve ser realizada por todos segundo o calendário vacinal. Em pacientes hospitalizados e em ventilação mecânica os profissionais de saúde devem estar atentos a higienização das mãos, esterilização adequada das cânulas, sondas, tubos e aparelhos para ventilação e nebulização. Nos casos de pneumonia por aspiração, para a prevenção, é importante estar atento a higienização oral, mesmo em pacientes desdentados, sempre que possível elevar a cabeceira para realizar as refeições, estar atento a consistência dos alimentos e também a medicamentos que possam diminuir o fluxo salivar.
CUIDADOS DE ENFERMAGEM
Cabe à equipe de enfermagem garantir a hidratação do idoso, já que o estado febril pode levá-lo a desidratação, manter a nutrição adequada e oxigenação quando prescrita, como também preservar as funções cardiovasculares e renais do paciente estando sempre atentos a alterações dos sinais vitais. Além de orientá-los sobre a importância da continuação da medicação pelo tempo que for necessário para que haja completa recuperação, caso contrário haverá insucesso no tratamento. Também devem informar sobre as formas de prevenção da pneumonia.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COSTA, Elisa; TEIXEIRA, Isadora; VICTOY, Loiane. Pneumonias. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan LTDA, 2016. p. 1595-1632.
Produzido por Keyla Taiani Terra Assunção
Em colaboração de:
Amanda Curiel Trentin Corral;
Bruna Moura Oliveira dos Santos;
Joana Isabel Moniz Alves;
Luisa Colares Ribeiro;
Thais Cristina Garcia da Silva.
PUBLICADOS NO INSTAGRAM E FACEBOOK DA LIGA NO DIA 25/07/2020
Muito Obrigado e até a próxima publicação ; )







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