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Saúde do homem idoso

Foto do escritor: LAEG UNIRIO
LAEG UNIRIO
15 de jul. de 2020
3 min de leitura

Culturalmente, para muitos o homem é considerado um ser invulnerável e detentor da saúde, que não necessita de cuidados. A sociedade impõe desse uma postura de não transparecer fragilidade, o que reflete diretamente na baixa procura pelos serviços de saúde, para tratamento ou prevenção de agravos.

Na população idosa o pensamento não é diferente. As concepções de masculinidade e ideal de envelhecimento saudável, compatível com um modelo produtivista e individualista, corroboram para a grande resistência dessa população na busca de ajuda ou até mesmo na negação e diminuição dos problemas de saúde. Contudo, vale lembrar que a ausência de cuidado com a saúde do homem ao longo da vida pode lhe causar incapacidades e dependência na velhice, o que reforça a necessidade de atenção integral a esse grupo, como definido na Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) desde 2006.

Aliado a isso, a literatura destaca o predomínio do modelo biomédico, o qual contribui para a manutenção do conceito de saúde como ausência de doença. Para muitos homens idosos, ter saúde se resume ao tratamento das enfermidades, acesso a medicamentos, realização de exames e ser cuidado por profissionais. Nesse conceito não estão incluídas as estratégias de  prevenção e promoção de saúde, nem mesmo as de reabilitação. O resultado consiste na procura pelos serviços mediante a apresentação de sintomas agudos ou agravamento de doenças pré existentes. 

Além disso, apesar de aposentados, muitos idosos continuam ativos no mercado de trabalho, como forma de complementar a renda familiar. Essa situação acaba sendo um obstáculo no cuidado com a própria saúde, pela falta de tempo para procurar as unidades básicas e até mesmo participar nas campanhas específicas desse grupo, como por exemplo o rastreamento de câncer de próstata.

Vale lembrar que a feminização do envelhecimento, corrobora também para a invisibilidade do homem idoso nos espaços de saúde, bem como para a baixa adesão dos mesmos. As ações são ainda muito voltadas para o público feminino, em especial quando se trata de atividades de convivência para idosos. No geral são realizados trabalhos manuais, como artesanato, bijuterias, tricô e crochê e aulas de dança. Embora sejam atividades disponibilizadas para ambos os sexos, a sociedade reforçada pela cultura ocidental da força de trabalho masculina, dificulta a participação ativa de homens idosos.

Dessa forma, faz-se necessário a elaboração de estratégias pela equipe de saúde, que possam estimular nos homens idosos o autocuidado apoiado, com foco não só em ações de promoção de saúde e prevenção de agravos, mas também na desconstrução de preconceitos sobre machismo e assistencialismo. A equipe de enfermagem desempenha um importante papel nesse processo, podendo desenvolver ferramentas de educação em saúde, para essa população se apropriar e se tornar protagonista do seu cuidado.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


  • Coelho JS, Giacomin KC, Firmo JOA. O cuidado em saúde na velhice: a visão do homem. Saúde Soc. São Paulo [Internet]. 2016; v.25, n.2, p.408-421. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-12902016000200408&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso em: junho 2020;

  • Queiroz TS, Rehem TCMSB, Stival MM, Funghetto SS, Lima LR, Cardoso BG, et al. Como idosos cuidam da sua saúde na Atenção Básica?. Rev Bras Enferm [Internet]. 2018;71(Suppl 1):554-61. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-71672018000700554&script=sci_arttext&tlng=pt>. Acesso em: junho 2020;

  • SANTOS, Mônica Cristina Brugnaro dos; SOUZA, Luís Joaquim de. Saúde do Homem Idoso: muito além da próstata. Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia José Ermírio de Moraes, 2017. Disponível em: <https://saudedapessoaidosa.fiocruz.br/pratica/sa%C3%BAde-do-homem-idoso-muito-al%C3%A9m-da-pr%C3%B3stata>. Acesso em: junho 2020.


Produzido por Joana Isabel Moniz Alves

Publicado em 15/07/2020

Muito obrigada e até o próximo post ;)

 
 
 

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