POLIFARMÁCIA: IMPACTOS NA QUALIDADE DE VIDA DA POPULAÇÃO IDOSA

Envelhecimento no Brasil
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população idosa no Brasil vem crescendo quase oito vezes mais que os jovens e quase duas vezes mais que a população geral, passando de 6,3% em 1980, para aproximadamente 14% no ano de 2025. Observa-se nos últimos anos um aumento do consumo de medicamentos por esse grupo populacional. A maioria (mais de 80%) utiliza, pelo menos, um medicamento por dia, e cerca de um terço consome cinco ou mais simultaneamente.
Polifarmácia
Essa população compõe cerca de 50% dos usuários de medicamentos devido ao maior risco de desenvolver doenças crônico degenerativas, como afecções respiratórias e cardiovasculares.
O resultado consiste no predomínio de condições permanentes de saúde, induzindo os idosos ao aumento do uso de medicamentos e levando-os à prática de polifarmácia (consumo de 5 ou mais fármacos). São vários os fatores que levam à mesma, destacando-se o acesso facilitado a esses produtos, e a reduzida frequência do uso de estratégias não-farmacológicas.
Com as alterações fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento, ocorre uma modificação na farmacocinética e farmacodinâmica das classes farmacológicas mais utilizadas. Assim, a pessoa idosa tem aumento da sensibilidade aos efeitos terapêuticos e adversos dos medicamentos, podendo causar danos graves à saúde.

Impactos
Essas características justificam a maior vulnerabilidade dos idosos à ocorrência de agravos, impactando consideravelmente na qualidade de vida dos mesmos. A literatura destaca:
Aumento de eventos adversos;

Interações medicamentosas;
Fenômeno "cascata de prescrições", ou seja, o efeito colateral oriundo de um fármaco é interpretado como se fosse uma nova doença, para qual é prescita uma nova medicação e assim sucessivamente;
Interações medicamento-doença, na medida em que uma medicação agrava ou descompensa uma doença pré existente;
Baixa aderência ao tratamento;
Redução da eficácia terapêutica;
Maior dependência na realização das atividades cotidianas;
Elevação dos custos.
Papel da enfermagem
A enfermagem possui importante papéis na administração, no aprazamento, planejamento da rotina de medicamentos, na orientação e educação dos pacientes e seus familiares.
É essencial que esses profissionais tenham não só um amplo conhecimento sobre farmacologia, interações medicamentosas e as possíveis reações adversas relacionadas aos medicamentos, mas também sobre as modificações fisiológicas inerentes ao processo de envelhecimento. Assim o enfermeiro pode intervir através de práticas educativas, direcionadas à família, à pessoas idosa e à equipe, com o objetivo de prevenir e minimizar os impactos associados ao uso múltiplo de medicamentos na pessoa idosa.
Referências Bibliográficas
1.ARAÚJO T. L. L. ET AL. O IMPACTO DA POLIMEDICAÇÃO NA SAÚDE DA POPULAÇÃO IDOSA. in: VI CONGRESSO INTERNACIONAL DE ENVELHECIMENTO HUMANO (cieh), campina grande, 2019. Disponível em: acesso em: junho 2020.
2.Costa r. m. et al. Uso de medicamentos por idosos: algumas considerações. Geriatria & Gerontologia. 2008;3(2):126-131. disponível em: .Acesso em: junho 2020.
3.Nascimento R. C. R. M. et al. polifarmácia: uma realidade na atenção primária do sistema único de saúde. Rev Saude Publica. 2017;51 Supl 2:19s. disponível em: . acesso em: junho 2020.
4.Santana p.p.c. et al. O IMPACTO DA POLIFARMÁCIA NA QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS. Rev enferm UFPE online., Recife, 13(3):773-82, mar., 2019. Disponível em: . Acesso em: Junho 2020.
Produzido por Joana Isabel Moniz Alves
Publicado no dia 02/09/2020
Muito obrigado e até o próximo post ; )







Comentários