A intergeracionalidade como fator promotor da qualidade de vida na população idosa

O que é a Intergeracionalidade?
Com o aumento da expectativa de vida e a longevidade é possível perceber a oportunidade de um contato maior entre gerações muito distantes (cronologicamente) e diferentes (em diversos aspectos). Sendo assim, surge um novo conceito: A intergeracionalidade, que é nada mais que, interações/relações que ocorrem entre indivíduos de diferentes gerações, ou seja, indivíduos em diferentes fases de vida, de diferentes contextos, eventos históricos, sociais e culturais determinantes das suas trajetórias e estilos de vida, que quando se encontram trocam experiências, valores e princípios, contribuindo para o
crescimento e desenvolvimento mútuo (Martins, 2013).
O diálogo entre gerações contribui para uma nova consciência comunitária, na medida em que são desenvolvidas as relações interpessoais, quando entram em contato com novas vivências e diversos modos de pensar, agir e sentir. As relações intergeracionais renovam opiniões e visões acerca do mundo e das pessoas. Esta partilha permite que as pessoas idosas se sintam socialmente Incluídas e valorizadas. A transmissão intergeracional, de saberes e ofícios, possibilita o processo recíproco de aprendizagens imanando o respeito e a compreensão entre gerações.
Qual a importância de estimular essas relações intergeracionais ?
- Criar laços;
- Diminuir estereótipos e preconceitos;
- Diminuir a solidão e o isolamento social;
- Aprender e apreciar heranças culturais e tradições;
- Trocar experiências e vivências;
- Transferir conhecimento, valores, princípios;
- Contribuir na educação do indivíduo em formação;
- Entender o processo de envelhecimento;
- Fortalecer os vínculos familiares;
- Minimizar conflitos ideológicos e comportamentais;
- Permitir uma sociedade baseada no respeito, tolerância e compreensão, dentre outros...
Fator promotor da qualidade de vida
As relações intergeracionais promovem bem-estar e qualidade de vida , pois, estimulam a mente , o pensamento, a memória, ou seja, tem múltiplos efeitos positivos na população idosa. As relações sociais familiares e não familiares são fundamentais para o processo de desenvolvimento das pessoas mais velhas, pois é através das relações sociais que os idosos vivenciam sentimentos de pertinência, de significado e de status social (Palácios, 2004). “Na velhice, é muito importante a rede de apoio, que cumpre a função de proporcionar confiança, companhia, orientação, além de ajuda instrumental (financeira, tarefas domésticas), ajuda emocional e assistência na doença e/ou na incapacidade” (Palácios, 2004, p.436).
Em 2002, na 2ª Assembleia Mundial para o Envelhecimento, realizada em Madrid, a temática do envelhecimento foi reconhecida como um fenômeno global e prioritário em matéria de desenvolvimento. O plano de ação resultante incentivou os governos a reverem as políticas de modo assegurarem a equidade entre gerações e a promoverem a ideia de que o apoio e solidariedade intergeracional podem ser a chave do desenvolvimento social. Portanto, a intergeracionalidade deve ser vista como potencial contributo para aquisição do (re)equilíbrio social, tornando as sociedades mais justas, dignas e solidárias (Nunes, L.N.V., 2009).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Amaro, Roque (2010/2011). Supervisão / Formação em Desenvolvimento Comunitário.Lisboa: SCML (Santa Casa da Misericórdia de Lisboa)
Lopes, L.S.E. (2008). Encontros Intergeracionais e a Representação Social. O que as crianças pensam dos velhos e a velhice. Holambra - S.P: Setembro Editora.
Lima, C.R. (2007). Programas Intergeracionais: um estudo sobre as atividades que aproximam as diversas gerações. Campinas/SP; Dissertação de Mestrado em Gerontologia, orientada por Giglio Z.G., Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas.
Marques, M. (2008) Envelhecimento activo: um olhar multidimensional sobre a promoção da saúde. Estudo de caso em Viana do Castelo TORRES. VI Congresso português sociologia mundos sociais: saberes e práticas. Lisboa. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.
Marquês, S.A.V. (2009). Educabilidade e construção de laços intergeracionais. Braga:Dissertação de Doutoramento em Ciências de Educação – especialização em Pedagogia Social, Universidade do Minho.
Produzido por Thais Cristina Garcia da Silva
Publicado em 08/07/2020
Muito Obrigada e até a próxima publicação ; )







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